Uma vez que a alma se entorpece, como é que descobrimos ser capazes de continuar?Busquei ser forte e dei de ombros aos meus próprios sentimentos. Não parecia ter orgulho próprio, queria não me importar com isso, afinal, não era nada importante.Uma confusão de sentimentos começava a gritar dentro de mim, a cabeça guardava tudo como um velho baú de recordações.Deixei de ser a figura engraçada e amistosa, dando lugar a uma outra, amarga e desiludida.Cheia de uma dor que nunca havia sentido, percebi que eu não me conhecia.Tinha vivido muitas histórias de amor, todas elas sem um final feliz, mas eu havia criado uma redoma impenetrável, me mantinha segura ali naquela bolha. Dessa vez eu havia pulado, não tinha necessidade de continuar dentro da bolha. Eu ansiava viver aquele amor. Tudo era tão desejado, meticulosamente desejado.Por mim, nenhum amor vive de um só coração. O meu não seria diferente.Sempre tive uma ideia de amor altruísta, embora nunca me imaginei capaz de sê-lo.Por ela, eu era capaz! E a cada ato realizado, surpreendentemente, eu era capazEu estava na U.T.I. da vida, desejando ardentemente a morte. Não uma morte lenta e sofrida, mas uma rápida, que de um susto dolorido me apagasse completamente.A morte não vinha, mas o vazio me ensurdecia. É impressionante como a gente descobre que o silêncio é capaz de fazer tanto barulho. Me debati, como a baleia se debate até perder a luta para o arpão do pescador.Cansada de lutar contra uma força invisível, decidi me recolher.Me exilei de mim, de volta a bolha, aquela impenetrável e segura bolha.Mas ela já não é a mesma, parece fria e miseravelmente vazia.
Ao passo que sinto enstranhamento em me encarar diante do espelho, percebo que coisas incrívelmente absurdas podem criar as veredas de cada dia. Então eis que surge a pergunta chave: ISTO É A VIDA REAL?
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Exílio
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